quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Lançamento - Livro "O Olhar dos Humilhados"
terça-feira, 17 de julho de 2012
PREFEITO, UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO
quinta-feira, 12 de abril de 2012
MORADOR DE RUA
Ninguém é morador de rua por acaso. O cidadão vai para a rua por absoluta falta de opção. Os motivos são diversos: o trabalhador perde o emprego e, sem condições de sustentar a família, cai no vício do álcool e logo é abandonado; o sujeito do interior é levado doente ao Instituto José Frota, e, após receber alta, dá-se conta de que não tem dinheiro algum e que seus familiares há muito retornaram para a cidade de origem. Sem alternativas, eles vão mendigando pela cidade.
Aquilo que mais dói no sem-teto não é o frio à noite, ou o calor e a fome durante o dia - nem mesmo a vergonha da condição de pedinte. O que realmente deixa o cidadão desamparado é perceber que, ao caminhar por uma calçada, com suas vestes e corpo sujos, as pessoas cruzam a rua e o evitam. O desprezo o faz invisível e, a partir desse momento, ele desacredita no mundo.
Estima-se que, em Fortaleza, o número de moradores de rua se aproxima de três mil e quinhentos. Até existem albergues, porém, em número insuficiente para acolher tanta gente. Os albergues estão mais para as estatísticas da campanha política de prefeito e vereadores que se avizinha do que para a solução desse grave problema social. Não se trata de tirar o sem-teto da rua, dar-lhe uma refeição e um cobertor que a questão estará resolvida. É preciso envolvê-lo em um projeto de trabalho em que ele acredite. Esse projeto social tem de ser uma ação permanente e conjunta entre União, estados e municípios.
O maior medo do morador de rua é a chegada da Copa do Mundo de Futebol ao país. Eles sabem que não podem aparecer por aí como o lixo da paisagem. Por falta de políticas públicas que lhes beneficiem, temem ser jogados para debaixo do tapete. Pois, quando começam a dizer que o número de moradores de rua é ínfimo, é bom ficar de orelha em pé.
sábado, 22 de outubro de 2011
FALSAS COOPERATIVAS E BARBÁRIE
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
GETÚLIO VARGAS DO SERTÃO CENTRAL
Algumas ilações à altura desse contraditório fato passam pela cabeça da população angustiada da cidade. Teixeira continua preso, mas sabe-se que as empresas objetos da ação judicial também licitaram com outras cinquenta prefeituras. Por que esses outros prefeitos ainda não sofreram nenhuma consequência judicial? Todos esperam pelo resultado da quebra de sigilo bancário de Teixeira e seu grupo. Caso as provas colhidas não forem suficientes para condená-lo, seria o processo de cassação do mandato do prefeito junto à câmara municipal uma mera estratégia jurídica para um golpe político?
Defendo o julgamento por meio de plebiscito daquele que tem mandato popular. Se o povo o elegeu, cabe a essa mesma gente – após provas expostas, acusação e defesa prontas – julgá-lo através do voto, destituindo-o ou não: eis um dos sustentáculos da democracia direta. O afastamento do cargo de prefeito, por indício de prova, deveria ser circunstancial para não atrapalhar a investigação e nem o andamento da administração. Prisão somente em casos graves e mediante provas irrefutáveis.
No Brasil, todos lembram o suicídio de Getúlio Vargas, tido como um dos melhores presidentes do país, após ser massacrado pela oposição das mais diversas irregularidades. Com o suicídio, ele entrou para a História como o pai dos pobres. Não estaria a oposição em Senador Pompeu fazendo de Teixeira um novo Vargas, respeitadas as devidas proporções, e, desta vez, em vida?
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
QUADRO NA MEMÓRIA
A minha grande decepção é constatar que não soube fazer com que eles gostassem de estudar. Não se precipite em me condenar, pois é claro que lhes ofereci um dos melhores colégios particulares da capital, haja vista que carrego a frustração de ter estudado em escolas públicas decadentes. Adianto em mencionar que privilegiei o diálogo e orgulho-me de nunca ter usado da violência para agir com meus rebentos, o que não significa que eu não tenha sido firme em algumas questões que, a meu ver, pudessem lhes trazer sérios problemas.
Não pense que houve falta de carinho. Acredito que excesso também não. Mantemos um relacionamento harmonioso. Ao amanhecer, ainda hoje, todos adultos tomam-me a benção, dão-me abraço e beijo. Talvez seja por conta dessa atmosfera afetuosa que ainda não perdi a esperança de incutir-lhes o prazer do estudo e, nesse ponto, considero-me um incansável. Sempre que surge uma oportunidade, com jeito e carinho – para não me tornar um chato -, dou exemplo de pessoas que estudaram e venceram na vida, principalmente, aqueles que se tornaram sábios.
Poucos pais devem ter levado os filhos tantas vezes às livrarias como eu, pois sempre fui um leitor voraz de livros, revistas e jornais. Essa imagem de pai lendo em uma cadeira ou uma rede, com certeza, compõe um quadro que eles levarão na memória pelo resto da vida. E fico a matutar: meu irmão, por exemplo, bebe umas cervejinhas. Seus filhos também bebem e chegam até ao exagero. Tenho amigos que fumam e os filhos idem. Então não entendo porque essa lógica não acontece comigo.
Vem-me a lembrança de meu pai, agricultor que não concluiu o segundo grau e que, no entanto, teve a perspicácia de me fazer gostar da leitura, naturalmente sabendo despertar em mim o prazer pelo conhecimento. À boca da noite, ao chegar do trabalho, ele tomava banho, jantava e, religiosamente, ia ler o jornal. Passado algum tempo lendo as principais notícias políticas, chamava-me para que eu lesse em voz alta outras matérias do periódico. Às vezes, quando me dava conta, ele estava dormindo, o que me deixava chateado. Com o tempo, ainda que ele estivesse dormindo, eu já não mais me importava e continuava a saciar minha curiosidade de leitor.
Penso que você, caro leitor, deve estar se perguntando por que eu não apliquei essa mesma fórmula aos meus filhos. Posso lhe garantir que tentei repetir essa ação e não obtive o menor sucesso. Imagine que, quando eu estava prestes a terminar esta crônica, pedi para que eles a lessem. Cheguei a entregar-lhes pessoalmente, mas eles não fizeram um comentário sequer. Até entendo que possam estar vivendo uma rebeldia sem causa, tudo bem. Estão naquele período em que fazem tudo ao contrário do que lhes peço. Diriam os psicólogos que é para chamar a atenção. Mas será que é só porque gosto de Beethoven, Mozart, Bach, Elvis Presley, John Lennon, Raul Seixas, Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Fagner, que eles me atacam de axé music?

